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OS SEGREDOS QUE GUARDAMOS - filme

  • Foto do escritor: Rita Escórcio
    Rita Escórcio
  • há 1 dia
  • 3 min de leitura

QUAL O SEU SEGREDO?


Nas noites em que uma pessoa está em casa e procura uma ocupação antes de dormir, o mais provável acontecer é ir em busca de um filme nos streamings disponíveis. Caso não se tenha nenhuma indicação e a escolha for aleatória, o que era para “relax” vira chateação por “enes” motivos e a classificação passa a ser de filme muito ruim, causando mais aborrecimento que entretenimento.

Tenho costume de deitar-me cedo, cedíssimo. Confesso que tenho me deparado com muita história ruim. Quem procura ver filme aleatoriamente tem passado pelo que passo ao escolher alguma coisa para assistir antes do sono chegar. Nem vale a pena me demorar nessa explicação. Mas, eis que fui surpreendida com o que vi no filme da imagem acima.

Antes, porém, tentarei relatar que o que assisti mudou meu comportamento durante dois dias, período que intervalei para concluir o filme. As colegas de trabalho estranharam minhas atitudes, meu ar sorumbático, a falta de interação nas conversas, a recusa em acompanhá-las para o almoço etc. Não só estranharam como também indagavam se havia acontecido algo. Realmente, não tinha mesmo acontecido nada. Depois de tanto elas insistirem que eu estava me portando diferente é que fui associar ao filme que me deixara mais introspectiva.

Que filme nojento!

Nojento de bom. Nojento, no sentido de fazer com que se analise, com cuidado, o desenrolar da trama e se trace paralelos com o que acontece na vida real. O ser humano é mesmo capaz de tudo.

No início do filme, é nos apresentado uma família que vive pacatamente em uma cidade pequena, no período pós-guerra. A partir de então, Maja (Noomi Rapace), em vingança pelos abomináveis crimes de guerra que sofrera, sequestra um vizinho, o suposto autor dos abusos sofridos. Durante o sequestro, Maja e o marido, Lewis Rossini (Chris Messina), passam a torturar esse ex-soldado, Thomas Stowe (Joel Kinnaman), a fim de que ele confesse ter cometido tantas atrocidades, principalmente, com ela e uma irmã que desaperecera. O marido que se pensa ter um pouco de sanidade e possa demover a esposa desse intento de vingar-se com as próprias mãos, embarca nesse imbróglio e os dois passam a intercalar segredos e torturas, hora juntos, hora separados, com a promessa de que, se o ex-soldado confessar, seria libertado. O filme OS SEGREDOS QUE GUARDAMOS (2019) surpreende. Quem assiste fica se perguntando se cabia um outro final para a história. Respondo: não cabia.

O que fica para quem assiste ao filme é uma angústia desmedida com a sociedade, no sentido de que nem tudo que vemos e/ou convivemos transparece nas atitudes do dia a dia. A qualquer hora pode surgir um ataque, seja de que origem for. Além do ataque, a presença de quem convive conosco (familiares, amigos) pode cruelmente nos ferir. Maja, após o sequestro, se infiltrou na casa do sequestrado a fim de ter mais informações sobre ele. A vida real também tem dessas coisas. A aparente organização social esconde traumas e comportamentos que, direta ou indiretamente, afeta a vida de muitos. O que se vê como normal, tranquilo, do bem, pode desencadear atitudes de quem não se pode culpabilizar por nada. Digo assim porque, no filme, a esposa e os filhos de Thomas nada tinham a ver com a suposta violência cometida por ele e muito menos com os traumas sofridos por Maja. Em determinado momento, Lewis indaga: “..e o perdão?...” Nesse momento, cria-se uma expectativa que o sequestro possa acabar. Não acaba. A esposa destrói a aparente sanidade de Lewis.

Assistam a esse surpreendente filme de suspense e tirem suas próprias conclusões.

Não sei se por coincidência, mas durante os dois dias que assisti ao filme, optei por usar cores sombrias, falar menos, observar mais, desistir do que eu estava insistindo e tentei controlar meus pensamentos para não colorir o que a vida teima em nos apontar como problemas insolúveis.

Em meio a todo esse caos, afirmo a vocês, leitores: “a vida presta”.

Se possível, assitam ao filme.

Quanto aos seus segredos, o que for para o bem, preserve e se beneficie deles; se for para lhe prejudicar ou a outrem, trate-os, procure ajude, urgentemente!

 
 

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