
COMO ESTOU HOJE
- Rita Escórcio

- 4 de mai.
- 2 min de leitura
COMO ESTOU HOJE
(Das dificuldades de se desligar de um relacionamento)
*Ivan…
Hoje, amanheci com uma saudade incontrolável de ti. Dia vagaroso de ver o relógio cumprir vinte e quatro horas. Quando isso acontece, fico de endoidar. É muito difícil controlar a vontade de te ver. Nem sempre a saudade vem com tamanha intensidade. Aos poucos, tento me acostumar com tua ausência. Tua ausência dói, machuca. Tua falta faz com que eu te perceba na cara e nos corpos de outros que me tentam. Não quero me enganar. Até que eu poderia ter, vez ou outra, uma aventurazinha para tentar de substituir definitivamente. Tenho medo. Medo de gostar assim como aconteceu com a gente. No início, nada tão extraordinário. Depois, a necessidade um do outro foi se alastrando e não tivemos como controlar desejos. Você queria tudo de imediato. Fui reticente….
Minha experiência anterior não me abalou tanto quando decidi por um fim. Não senti saudades dele. Foi-se. Eu não ia permitir que o amor fosse se extinguindo até virar nada, como acontece com a maioria dos casais. Interrompi no exato momento em que dava para guardar uma lembrança boa.
Eu estava de alma livre, quando você apareceu. E foi muito delicada sua passagem em minha vida. Dava para a gente ter encerrado nosso querer no primeiro encontro, mas você se achegou mais e mais a mim.
Eu te quis, aos poucos. Você tomou de conta de todas as minhas horas. E isso foi bom, bom demais. Para não te gostar taaaaaaaaanto, você colaborou com pequenos sumiços que, depois, se agigantaram. Para não te perder completamente, tornei-me sua confidente. Você me falava de seus amores fracassados. Odiei todas as cunhãs, as que te tiveram e as que te esnobaram. Ajudei você a sofrer, em suas horas difíceis. Mesmo assim, foi bom ser seu ombro amigo quando você dispensou um de seus amores e teve que optar por outro, sem ter a certeza que estava fazendo a decisão mais acertada.
Não somos mais o benquerer um do outro como outrora. Muito raramente, me pego cheia de desejos como me encontro, agora. Quando não me controlo e te busco, sem vergonhamente, recebo teu incentivo para a minha loucura. Faz mais isso não. Some de vez.
Nesse exato momento, não te quero tanto... O que sinto é uma saudade incontrolável do tempo que passou e não nos tornamos um. Essa lembrança acende meu corpo, mas esse fogo vou queimá-lo em outra pessoa, na tentativa de te esquecer. Talvez, eu tenha a sorte de ele me fazer acreditar que se pode aprender a amar, quando o que se mais quer é ter esquecimento.
Com todo carinho do mundo, até nunca mais...
Apaixonadamente,
*Elisa
(*Nomes fictícios)