
SAUDADES INFINITAS
- Rita Escórcio

- 15 de jan.
- 2 min de leitura
SAUDADES INFINITAS
Acordei. Treinei. Fiz o desjejum. Em seguida, rumei ao trabalho. De repente, invadiu-me uma saudade definida. Alguém deve estar lembrando de mim para fazer tanto furdunço em meus sentimentos. A partir de então, a lembrança do que foi bom e ainda pode ser melhor não me deixava pensar em outra coisa. Inquietei-me. Saí da sala e fui respirar melhor lá fora. Pura invenção. O que eu queria mesmo era ver o cidadão que tem as mesmas características de meu Inventado Amor. Não sei se realmente parece, mas, no auge da loucura que é gostar sozinha, a semelhança entre seres diminui distâncias e o agora substituto serve para minorar saudades. Impossível disfarçar tanto querer bem. Se me pegam lendo bobices, com riso indisfarçável, olhar pegativo, imediatamente, as pessoas do entorno já associam à criatura amada. Fico fácil de ler. Conversas repetidas alimentam sonhos e elas não devem ser apagadas mesmo que uma relação finde, visto que a memória, com o tempo, é seletiva. Impossível guardar tanta vivência. Pois bem! Estou sendo castigada pela saudade. Hoje, ela dói. Queria muito não lembrar de impossibilidades. Poderia até voltar para quem me quer. Não, não volto. Sentimento já arquivado em pasta. Uma vez arquivado, não reativo mais. O tempo do foi bom tem começo, meio e fim. Quando finaliza para mim, finaliza sem volta. No período do durante, nada cobro. Entendo que a pessoa se doa na sua forma de querer bem. Isso me basta. Então, cobranças para quê? Depois de um tempo circulando entre os meus, não consegui ver o sósia que aliviaria minha castigante saudade. Mais uma vez, vou recolher meus sentimentos e tentar pôr os pés no chão, trazer-me de volta à realidade e ser produtiva no trabalho. Afinal, revirar os olhos sozinha não é bom. É bom que seja feito isso na companhia de quem eu sinto tanta falta. Diante dessa impossibilidade, ou seja, sem ter a presença do Ser amado, o aconselhável é que a pessoa apaixonada se aprume e tente disfarçar o que sente para, assim, integrar o, talvez, coro dos contentes. E ele, ciente de toda a falta que me faz, vai driblando a falta que também lhe faço nos chamegos com outro alguém, mas sem ter a intensidade que teria na minha companhia. Saudades infinitas de cada dia: as minhas, as dele, as nossas que tanto nos machucam fazem valer cada momento que roubamos dos outros para preencher o que falta em nós. Afinal, quem já amou e não sentiu saudades nem imagina o quanto é bom a possibilidade e/ou a concretização de unir corpos que apenas querem se completar.

