
A TROCA DE ÓLEO

A TROCA DE ÓLEO
Ao sair para o trabalho, uma mensagem no painel do carro amedronta e deixa uma moça assustada: “Motor do carro em risco. Busque uma oficina”.
O carro é desligado. O chefe é avisado de que a servidora iria se atrasar até resolver um problema. Alguns minutos depois, o carro é ligado novamente e mensagem não desapareceu. A terceira tentativa aconteceu sem problema aparente. Finalmente, a moça poderia se deslocar para o trabalho.
Para justificar o atraso da chegada, o problema com o carro foi relatado. Os colegas de trabalho se entreolharam e não externaram nenhuma opinião. A preocupação da motorista era o carro não funcionar após o expediente. O chefe acompanhou a servidora até o carro e viu que ela podia chegar em casa, tranquilamente. Essa aparente tranquilidade foi rompida após a hora do almoço.
Após a labuta do dia, dessa vez, uma noite insone foi suficiente para que a moça se dirigisse à oficina tão logo acordasse. Uma série de possibilidades para o caso fora aventada sem que a moça entendesse coisa alguma. Definitivamente, como ela mesma propalava “dirigir é coisa de homem “. Ela mesma fazia isso por não ter ninguém que fizesse por ela.
O carro foi deixado na oficina. Feita a revisão, novas peças e óleo trocados.
Toda essa história da troca de óleo foi contada no setor do trabalho no dia seguinte. Na hora do relato, ninguém comentou coisa alguma. Mas as colegas de sala não iam deixam passar uma boa oportunidade para trollar a tímida senhorita.
Mensagens do carro não mais apareceram no painel do carro, mas foram chegando sem cessar no celular de Rosa Maria (esse era o nome dela), tais como:
“Que história de troca de óleo é essa?”
“Onde já se viu não trocar o óleo…”
“Essa história não está bem contada.”
“ Não fique sem manutenção.”
“Quem trocou seu óleo foi “ele”?”
“Está com quanto tempo mesmo que não troca o óleo?”
“Vê se você segue as orientações do mecânico.”
“Duvido que eu não troque meu óleo.”
“E aî, qual a recomendação para se fazer a troca de óleo?”
Atônita, Rosa Maria não sabia o que responder. Olhava para uma. Olhava para outra, sorria e disfarçava dando respostas monossilábicas para que os homens da sala não participassem desse diálogo. Para por freio em tanta saliência, a moça ameaçou publicar as mensagens no grupo de WhatsApp do setor.
Um balde de água fria foi jogada na conversa.
Após dias do acontecido, assim que a inocente moça chega ao trabalho, o interesse das outras é saber se o óleo do carro foi trocado.
A resposta proferida, apesar de não muito convincente, é a de que apenas o óleo do carro foi trocado.
Acreditar nessa resposta gera algumas controvérsias, nem todas acreditam, lógico. Dizem que o capeta duvida muita das mulheres e acreditar na resposta dada pela dona do carro é uma outra história que não pode e nem deve ser contada agora.